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Caoa Chery suspende demissões e coloca 70 trabalhadores em layoff

Caoa Chery suspende demissões e coloca 70 trabalhadores em layoff


A montadora havia anunciado a demissão de 59 trabalhadores, mas depois o número oficial mudou para 70 demitidos. Crédito da Foto: SindMetSJC/Divulgação

Jacareí

Depois de um dia em greve, os trabalhadores metalúrgicos da Caoa Chery, em Jacareí, conseguiram reverter todas as demissões que haviam sido anunciadas esta semana pela montadora. Em assembleia nesta sexta-feira (20), os metalúrgicos aprovaram o acordo negociado entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a montadora de veículos.
Esta foi uma importante vitória que vai servir de exemplo para a luta da classe trabalhadora contra os efeitos da crise provocada pelo coronavírus, afirma o Sindicato. A greve começou na quinta-feira (19) e terminou hoje, com a aprovação do acordo.

Layoff

Todos os trabalhadores da produção ficarão em layoff (contrato de trabalho suspenso) a partir de 1º de abril. Os que haviam sido demitidos permanecerão afastados até 30 de junho. Para os outros, o layoff termina dia 30 de abril, com garantia de estabilidade até 30 de agosto.
Os empregados continuarão recebendo seus salários na íntegra durante o período de afastamento. Parte do valor é pago com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O restante é pago pela empresa.
Em nota, a Caoa Chery confirma o acordo com o Sindicato.
“A anulação dos cortes representa uma grande vitória não só da categoria metalúrgica, mas da classe trabalhadora. Os trabalhadores da Chery mostraram que não podemos aceitar medidas irresponsáveis e covardes como a que havia sido adotada pela montadora. O lucro não pode estar acima da vida”, afirma o diretor do Sindicato Guirá Borba Guimarães.

Licença remunerada

Antes de entrar em layoff, os trabalhadores que haviam sido demitidos entram em licença remunerada a partir de hoje. A mesma medida será estendida, aos poucos, para todos os setores da produção. Já o pessoal do setor administrativo vai trabalhar pelo regime de home office.
A licença foi uma reivindicação do Sindicato para proteger os metalúrgicos da contaminação pelo coronavírus. A entidade defende que todos os trabalhadores têm de ficar em casa e, obrigatoriamente, ter seus empregos e direitos garantidos.
“Esta greve aconteceu num momento em que o governo Bolsonaro quer reduzir salários e direitos dos trabalhadores. Esta política vai na contramão das necessidades mais básicas da população, que precisa de seus salários para enfrentar essa crise. Mais uma vez, esse governo está jogando contra os interesses do povo. É por isso que defendemos: fora Bolsonaro, Mourão e Guedes”, afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.